-->

Presidente do IGESPE é preso na Operação Mamon; instituto já recebeu mais de R$ 35 milhões da Prefeitura de Cajazeiras na gestão Socorro Delfino, único município paraibano onde atua.

Thomas Jefferson, que consta nos registros públicos como presidente do Instituto de Gestão Social de Pernambuco, foi preso pela Polícia Federal na quarta-feira (26), junto com a esposa. A entidade que ele comanda tem em Cajazeiras seu único contrato na Paraíba, com R$ 53,53 milhões empenhados desde 2024.

O presidente do Instituto de Gestão Social de Pernambuco (IGESPE), José Thomas Jefferson Lima Silva, conhecido como Thomas Jefferson, foi preso na última quarta-feira (26) durante a Operação Mamon, deflagrada pela Polícia Federal com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU). A informação foi divulgada pelo portal TV Cupira, que noticiou também a prisão da esposa dele, a advogada Thais Dominique.

A operação apura suposto esquema de fraude em contratações públicas, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo contratos firmados por uma Organização da Sociedade Civil (OSC) com prefeituras. Foram 35 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva, cumpridos em Caruaru, Bonito, Palmares e Agrestina, em Pernambuco, além de João Pessoa (PB) e Curitiba (PR). Durante as diligências, foram apreendidos cerca de R$ 700 mil em espécie, além de joias e relógios.

Segundo a Polícia Federal, a investigação reuniu elementos que apontam para possíveis irregularidades em contratações na área da saúde, com indícios de direcionamento de procedimentos de contratação, movimentação atípica de recursos públicos e uso de pessoas físicas e jurídicas para ocultar o destino dos valores recebidos pela entidade. Os investigadores também identificaram um padrão recorrente de saques elevados em espécie a partir de contas ligadas ao instituto investigado.

Cajazeiras é o único município paraibano onde o instituto atua

A consulta ao SAGRES Online, sistema de acompanhamento da gestão dos recursos da sociedade mantido pelo Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, filtrada pelo CNPJ do IGESPE, retorna um único município paraibano: Cajazeiras. Não há registro de contratos ou pagamentos da entidade com qualquer outra prefeitura do estado.

Fonte: SAGRES Online / TCE-PB, exercícios 2024, 2025 e 2026.

Em pouco mais de dois anos e meio, a entidade teve R$ 53,53 milhões empenhados e quase R$ 52,92 milhões efetivamente pagos pela Prefeitura de Cajazeiras, em 108 registros. Só em 2025, foram R$ 21,12 milhões. Para 2026, o valor já empenhado até o momento chega a R$ 14,71 milhões.

O contrato e o reajuste assinado em novembro

A relação com Cajazeiras está formalizada no contrato nº 60206/2024-SECOP, firmado em 22 de novembro de 2024 entre o Fundo Municipal de Saúde de Cajazeiras e o IGESPE, decorrente da Inexigibilidade nº IN60005/2024, oriunda do credenciamento da Chamada Pública nº 60003/2024. O objeto é a contratação de organizações sociais para prestação de serviços complementares assistenciais à saúde de baixa, média e alta complexidade.

Em 18 de novembro de 2025 foi assinado o Primeiro Termo Aditivo, com reajuste de preço e prorrogação de prazo. O documento registra reajuste com base no IPCA/IBGE de 4,68%, equivalente a R$ 87.360,80, elevando o valor mensal consolidado para R$ 1.984.554,02, o que resulta em um total anual de R$ 23.814.648,24. A vigência foi prorrogada por mais 12 meses, até 22 de novembro de 2026.

O termo foi assinado digitalmente pela prefeita Maria do Socorro Delfino Pereira, pela contratante, e por José Thomas Jefferson Lima Silva, pelo IGESPE.

Quem é o preso e qual a ligação com o IGESPE

Os registros públicos da Receita Federal apontam José Thomas Jefferson Lima Silva como presidente do Instituto de Gestão Social de Pernambuco, entidade sem fins lucrativos fundada em 1993 e sediada na Rua Vasco Fernandes Coutinho, no bairro Maurício de Nassau, em Caruaru (PE), sob o CNPJ 35.667.831/0001-04. O mesmo nome figura à frente da filial do instituto em Altinho (PE).

É esse nome que assina, pelo IGESPE, o Primeiro Termo Aditivo ao contrato firmado com o Fundo Municipal de Saúde de Cajazeiras, documento datado de 18 de novembro de 2025.

Conforme a TV Cupira, Thomas Jefferson é irmão de Wilson de Lima e Silva, o “Dinho”, ex-prefeito de Belém de Maria, na Mata Sul pernambucana.

Ressalvas

Até a publicação desta matéria, a Polícia Federal e a CGU não haviam confirmado oficialmente os nomes dos presos nem o da organização investigada. A identificação do presidente do IGESPE como um dos detidos foi divulgada pela imprensa pernambucana. Os valores apresentados nesta reportagem são dados públicos de execução orçamentária e não constituem, isoladamente, indício de irregularidade.

Outro lado

O espaço do O Protagonista PB está aberto para manifestações de todos os supracitados na matéria em questão.

Fontes: nota oficial da Polícia Federal em Pernambuco (26/08/2026); TV Cupira; SAGRES Online, TCE-PB, exercícios 2024, 2025 e 2026; Portal da Transparência de Belém de Maria (PE), exercício 2025; Primeiro Termo Aditivo ao Contrato nº 60206/2024-SECOP, Fundo Municipal de Saúde de Cajazeiras; cadastro do CNPJ 35.667.831/0001-04 na Receita Federal.

Thomas Jefferson, que consta nos registros públicos como presidente do Instituto de Gestão Social de Pernambuco, foi preso pela Polícia Federal na quarta-feira (26), junto com a esposa. A entidade que ele comanda tem em Cajazeiras seu único contrato na Paraíba, com R$ 53,53 milhões empenhados desde 2024.

O presidente do Instituto de Gestão Social de Pernambuco (IGESPE), José Thomas Jefferson Lima Silva, conhecido como Thomas Jefferson, foi preso na última quarta-feira (26) durante a Operação Mamon, deflagrada pela Polícia Federal com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU). A informação foi divulgada pelo portal TV Cupira, que noticiou também a prisão da esposa dele, a advogada Thais Dominique.

A operação apura suposto esquema de fraude em contratações públicas, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo contratos firmados por uma Organização da Sociedade Civil (OSC) com prefeituras. Foram 35 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva, cumpridos em Caruaru, Bonito, Palmares e Agrestina, em Pernambuco, além de João Pessoa (PB) e Curitiba (PR). Durante as diligências, foram apreendidos cerca de R$ 700 mil em espécie, além de joias e relógios.

Segundo a Polícia Federal, a investigação reuniu elementos que apontam para possíveis irregularidades em contratações na área da saúde, com indícios de direcionamento de procedimentos de contratação, movimentação atípica de recursos públicos e uso de pessoas físicas e jurídicas para ocultar o destino dos valores recebidos pela entidade. Os investigadores também identificaram um padrão recorrente de saques elevados em espécie a partir de contas ligadas ao instituto investigado.

Cajazeiras é o único município paraibano onde o instituto atua

A consulta ao SAGRES Online, sistema de acompanhamento da gestão dos recursos da sociedade mantido pelo Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, filtrada pelo CNPJ do IGESPE, retorna um único município paraibano: Cajazeiras. Não há registro de contratos ou pagamentos da entidade com qualquer outra prefeitura do estado.

Fonte: SAGRES Online / TCE-PB, exercícios 2024, 2025 e 2026.

Em pouco mais de dois anos e meio, a entidade teve R$ 53,53 milhões empenhados e quase R$ 52,92 milhões efetivamente pagos pela Prefeitura de Cajazeiras, em 108 registros. Só em 2025, foram R$ 21,12 milhões. Para 2026, o valor já empenhado até o momento chega a R$ 14,71 milhões.

O contrato e o reajuste assinado em novembro

A relação com Cajazeiras está formalizada no contrato nº 60206/2024-SECOP, firmado em 22 de novembro de 2024 entre o Fundo Municipal de Saúde de Cajazeiras e o IGESPE, decorrente da Inexigibilidade nº IN60005/2024, oriunda do credenciamento da Chamada Pública nº 60003/2024. O objeto é a contratação de organizações sociais para prestação de serviços complementares assistenciais à saúde de baixa, média e alta complexidade.

Em 18 de novembro de 2025 foi assinado o Primeiro Termo Aditivo, com reajuste de preço e prorrogação de prazo. O documento registra reajuste com base no IPCA/IBGE de 4,68%, equivalente a R$ 87.360,80, elevando o valor mensal consolidado para R$ 1.984.554,02, o que resulta em um total anual de R$ 23.814.648,24. A vigência foi prorrogada por mais 12 meses, até 22 de novembro de 2026.

O termo foi assinado digitalmente pela prefeita Maria do Socorro Delfino Pereira, pela contratante, e por José Thomas Jefferson Lima Silva, pelo IGESPE.

Quem é o preso e qual a ligação com o IGESPE

Os registros públicos da Receita Federal apontam José Thomas Jefferson Lima Silva como presidente do Instituto de Gestão Social de Pernambuco, entidade sem fins lucrativos fundada em 1993 e sediada na Rua Vasco Fernandes Coutinho, no bairro Maurício de Nassau, em Caruaru (PE), sob o CNPJ 35.667.831/0001-04. O mesmo nome figura à frente da filial do instituto em Altinho (PE).

É esse nome que assina, pelo IGESPE, o Primeiro Termo Aditivo ao contrato firmado com o Fundo Municipal de Saúde de Cajazeiras, documento datado de 18 de novembro de 2025.

Conforme a TV Cupira, Thomas Jefferson é irmão de Wilson de Lima e Silva, o “Dinho”, ex-prefeito de Belém de Maria, na Mata Sul pernambucana.

Ressalvas

Até a publicação desta matéria, a Polícia Federal e a CGU não haviam confirmado oficialmente os nomes dos presos nem o da organização investigada. A identificação do presidente do IGESPE como um dos detidos foi divulgada pela imprensa pernambucana. Os valores apresentados nesta reportagem são dados públicos de execução orçamentária e não constituem, isoladamente, indício de irregularidade.

Outro lado

O espaço do O Protagonista PB está aberto para manifestações de todos os supracitados na matéria em questão.

Fontes: nota oficial da Polícia Federal em Pernambuco (26/08/2026); TV Cupira; SAGRES Online, TCE-PB, exercícios 2024, 2025 e 2026; Portal da Transparência de Belém de Maria (PE), exercício 2025; Primeiro Termo Aditivo ao Contrato nº 60206/2024-SECOP, Fundo Municipal de Saúde de Cajazeiras; cadastro do CNPJ 35.667.831/0001-04 na Receita Federal.

Sobre o autor: