A servidora pública Maria Gorete Batista, conhecida como Gorete da Casa de Apoio, revelou sua frustração, pela primeira vez, após deixar a gestão da prefeita Corrinha Delfino por causa dos constrangimentos e pressões que ela e as servidoras Jane Kelle Barroso Francisco, Nildeneide de Oliveira Meireles Macena e Shirley Rosely Magalhães Meireles Andrade sofriam no dia a dia na Casa de Apoio da prefeitura de Cajazeiras, na capital João Pessoa.
Gorete revelou que a tensão aumentou após o rompimento político da prefeita com o ex-prefeito Zé Aldemir, fundador do espaço, que foi proibido de frequentar o local. Além de pressionar as servidoras, a prefeita Corrinha determinou a implantação de sistema de câmeras no local que expõem os pacientes e os servidores a situações constrangedoras durante 24 horas.
‘’Quando decidimos que íamos sair foi difícil porque a gente já olhava pro paciente com vontade até de chorar. Com essa gestão de Corrinha foi dificultando. Colocou parente dentro da casa, colocou câmeras na casa, éramos monitorados. Não sei o por que das câmeras. E até os pacientes se sentiram incomodados. Até que os pacientes começaram a deduzir porque Corrinha não era mais Zé Aldemir e o paciente infelizmente tava pagando o preço por isso. Não só funcionários mas com pacientes também’’, afirmou em tom emocionado.
Gorete relembrou a implantação da Casa de Apoio na gestão de Zé Aldemir e a solidariedade humano do ex-prefeito no acolhimentos aos pacientes.
‘’Há muitos anos atrás, há quase 9 anos eu perdi um filho e eu pedi a Deus algo que eu não tivesse tempo assim de sofrer tanto porque por conta dos meus dois filhos que ficaram. Eu disse meu Deus, eu queria algo que ocupasse a minha mente e quando Zé Aldemir me deu esse trabalho que eu realmente comecei, aí eu entendi que Deus tinha me dado esse trabalho pra eu realmente ocupar minha mente. Porque tinha dias que era difícil, eu chorava muito mas aí quando o telefone tocava dizia: ‘Gorete minha biópsia saiu, eu tô com câncer’. Eu não tenho mais meu filho mas eu tenho essa pessoa que eu ainda posso fazer algo. E assim foram 7 anos da minha vida, me senti em sempre ajudar, então era sempre o paciente em primeiro lugar. Eu fiquei com o Zé Aldemir justamente por isso, pelo ser humano que é, por ser um médico, por sempre ajudar’’, destacou.
Antes do pedido de demissão coletiva das quatro profissionais, a prefeita de Cajazeiras já havia exonerado outros dois servidores do órgão, Maria Daluz Oliveira e Roberto Sérgio, afetando diretamente a rotina e o funcionamento da estrutura de apoio.
