A política da Paraíba é feita de movimentos intensos, disputas acirradas e interesses que, muitas vezes, falam mais alto que qualquer projeto coletivo. Mas, de tempos em tempos, surgem figuras que caminham em outra direção, não pela ausência de ambição, mas pela capacidade de compreender que nem toda conquista precisa, necessariamente, passar pelo protagonismo. É nesse ponto que Pedro Cunha Lima se diferencia.
Carregar o sobrenome de Cássio Cunha Lima e de Ronaldo Cunha Lima não é apenas herdar um legado, é conviver diariamente com expectativas gigantescas. E, ainda assim, Pedro nunca pareceu refém dessa herança. Desde o início, buscou trilhar um caminho próprio, sustentado por escolhas que, muitas vezes, contrariaram a lógica comum da política.
Em Brasília, enquanto muitos enxergavam o mandato como espaço de acomodação, ele fez o oposto: reduziu estruturas, recusou favorecimentos e disse “não” onde o mais fácil seria dizer “sim”. Não por imposição, mas por convicção. Em um gesto ainda mais simbólico, abriu mão da aposentadoria especial de deputado federal, um privilégio que poucos têm coragem de recusar, para se colocar no mesmo patamar do cidadão comum, submetido às regras do INSS.
E foi também nesse período que Pedro se destacou como um firme defensor da moralização dos gastos públicos. Autor e um dos principais entusiastas da chamada “PEC dos penduricalhos”, levantou o debate sobre privilégios e distorções dentro do serviço público, enfrentando resistências e colocando em pauta um tema sensível, mas necessário para o país.
Na atuação parlamentar, encontrou na educação, especialmente na primeira infância, um propósito. Não como discurso de ocasião, mas como bandeira permanente. Foi o precursor e um dos grandes protagonistas da aprovação do Novo FUNDEB, maior fonte de financiamento da educação básica do Brasil. À frente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, Pedro foi peça fundamental para que o fundo fosse aprovado como emenda constitucional, tornando-o definitivo e garantindo aumentos progressivos de recursos ao longo dos anos. Um legado que impacta diretamente milhões de crianças e jovens brasileiros, e que marcará gerações.
Em 2022, aceitou um dos maiores desafios de sua trajetória: disputar o Governo da Paraíba. Não era o caminho mais fácil. Enfrentou uma estrutura poderosa, encarou uma campanha dura e, ainda assim, conquistou mais de um milhão de votos no segundo turno. Saiu maior do que entrou, não apenas pelos números, mas pela dimensão política que alcançou.
Mas talvez o gesto mais marcante de Pedro não esteja nas disputas que enfrentou, e sim naquelas que escolheu não travar.
Em um cenário onde muitos se apegam ao poder como destino inevitável, ele fez o movimento contrário. Recuou. Abriu mão de uma candidatura natural, mesmo diante de apelos e expectativas, em nome de algo que considerou maior: a união de forças, a construção de um caminho coletivo, a possibilidade de um projeto que não girasse em torno de um único nome.
E quando chega o dia 27 de abril de 2026, mais uma vez, Pedro surpreende. Em vez de si, apresenta Diogo Cunha Lima para compor chapa ao lado de Cícero Lucena. Um gesto que carrega, sobretudo, desprendimento, a compreensão de que liderança também se exerce ao abrir espaço.
Na política, poucos conseguem entender a grandeza de ceder. Poucos compreendem que o “não” pode ser mais poderoso que o “sim”. E menos ainda são aqueles que conseguem agir sem que a vaidade dite o ritmo.
Pedro parece ter escolhido esse caminho.
E talvez seja por isso que, em meio a tantos discursos e movimentos previsíveis, ele continue sendo exatamente o que sempre se propôs a ser: Pedro, sendo Pedro.
