O roteiro político que vinha sendo desenhado para o próximo dia 23 de fevereiro, em Campina Grande, mudou de direção. O médico e pré-candidato a deputado federal Jhony Bezerra confirmou ao Polêmica Paraíba que não haverá a coletiva que era dada como certa e que as definições sobre futuro político e posicionamento em relação ao Governo ficarão para um momento posterior.
A fala, dada em tom de cautela, reforça que Jhony está em fase de escuta e negociação: segundo o próprio pré-candidato, ele segue dialogando com bases e lideranças para “tomar a melhor decisão”. O detalhe é que o cancelamento ocorre após uma semana de forte expectativa, alimentada por informações de que o encontro serviria para “virar a chave” do seu projeto e cravar três pontos: qual partido escolheria, quem apoiaria para governador e qual seria seu novo rumo político.
O que estava no radar e por que o recuo pesa
No dia 12, o mesmo Polêmica havia noticiado que Jhony confirmara uma coletiva no dia 23, às 10h, na qual ele trataria de filiação e alinhamento para 2026, em meio ao pano de fundo de um afastamento do núcleo do governo estadual. Agora, ao puxar o freio, ele deixa o tabuleiro mais aberto e, na prática, estica o suspense sobre duas perguntas centrais:
- Qual legenda será a casa do projeto rumo à Câmara Federal;
- Se haverá rompimento consolidado com o grupo do governador João Azevêdo ou apenas um reposicionamento ainda em construção.
A senha já tinha sido dada: “lealdade não é submissão”
O movimento não acontece no vazio. Na semana passada, Jhony já havia sinalizado publicamente um racha ao publicar a frase “lealdade não é submissão”, sem cravar, porém, se o distanciamento seria total de João Azevêdo ou restrito a partes da engrenagem governista. Na leitura de bastidores apontada pela imprensa local, a tendência seria uma aproximação com o projeto do prefeito Cícero Lucena ao governo — hipótese que ganha e perde força conforme o termômetro político e as conversas avançam.
Quem é Jhony no tabuleiro da Paraíba
Ex-titular da Saúde e gestor com histórico na máquina pública, Jhony chegou à superintendência da PB Saúde em dezembro de 2024, carregando um currículo ligado à gestão hospitalar e a programas estratégicos na área. Esse histórico ajuda a explicar por que qualquer gesto — até o cancelamento de uma coletiva — vira notícia: ele não é apenas “mais um pré-candidato”, mas um personagem que pode puxar alianças, reposicionar apoios e influenciar arranjos regionais.
O que fica de concreto, por agora
No curto prazo, o fato é simples e politicamente barulhento: não tem coletiva no dia 23 e não tem decisão anunciada agora.
No médio prazo, o silêncio vira estratégia: Jhony mantém a porta aberta para costuras, evita anunciar antes da hora e deixa no ar a pergunta que a Paraíba inteira quer responder — para onde ele vai e com quem ele vai.
Por: Napoleão soares
