Encerrado o prazo de registro, a Paraíba tem dez candidatos ao Senado. Sejamos francos. Apenas sete disputam de fato: Marcelo Queiroga, André Gadelha, Nabor Wanderley, Veneziano Vital, João Azevêdo, Major Fábio e… Rinaldo Júnior. Os outros três cumprem função doutrinária de seus partidos.
A candidatura de Rinaldo caiu como uma bomba em Santa Rita e na Grande João Pessoa. E por um motivo simples: Santa Rita nunca teve senador e, até o registro dele, não tinha um único nome na majoritária. No mínimo curioso, tratando-se do terceiro maior colégio eleitoral do estado.
Aqui entra a aritmética que a velha política finge não enxergar.
São duas vagas. Cada eleitor tem dois votos. Isso muda tudo. O primeiro voto costuma ser fiel e ideológico, capturado cedo pelos nomes consolidados. O segundo é órfão: a maior parte do eleitorado não tem uma segunda preferência firme e decide na reta final, quase sempre por proximidade. Em disputas de duas cadeiras, a segunda vaga raramente vai para quem liderava as pesquisas de junho. Vai para quem consolida um bloco enquanto os demais dividem o mesmo terreno.
E o terreno é este: João Pessoa, Santa Rita, Bayeux e Cabedelo somam cerca de 800 mil eleitores, quase um quarto dos 3,25 milhões da Paraíba. Rinaldo é o único candidato enraizado nesse eixo fora da capital. E a influência de Santa Rita não para na divisa municipal: irriga toda a várzea e boa parte da região metropolitana.
Some-se a isso o efeito inédito da representação. Cidade nenhuma vota em bloco por afeto. Vota em bloco quando percebe que tem, pela primeira vez, algo concreto a perder. Santa Rita produziu cana, mão de obra, votos e prefeitos, mas nunca produziu um senador. O eleitor santa-ritense está sendo convidado a deixar de ser espectador.
Se Rinaldo Júnior converter a própria base e capturar o segundo voto disponível na Grande João Pessoa, ele não apenas cresce: frustra o cálculo de nomes tradicionais que tratam a região metropolitana como território pacificado.
Já deixo o aviso: quem o tratar como figurante vai errar a conta. E, em disputa de duas vagas, errar a conta custa a vaga.
